A saga do tradutor traído: flexões lexicais da conlang orwelliana em tradução brasileira
Palavras-chave:
Literatura Distópica, Estudos da Tradução, ConlangResumo
Este trabalho é um recorte do relatório de iniciação científica fomentado pela Universidade Estadual de Maringá (2024-25), tendo como corpus a conlang presente no romance distópico ‘1984’, de George Orwell (c1977), e a tradução de Heloisa Jahn e Alexandre Hubner publicada pela Companhia das Letras (Orwell, 2021). Com base nos estudos pós-estruturalistas da tradução (Arrojo, 1999; Blume e Peterle, 2013; Esteves, 2014) e no estudo de línguas artificiais (Noletto; Norledge e Stockwell, 2024), objetivamos explorar como os tradutores estão ou não inseridos nesta obra de literatura distópica e comparar o aspecto flexional nas duas versões observadas. A partir das análises concluímos que a tradução brasileira selecionada demonstra uma escolha deliberada em adaptar e reconhecer algumas diferenças morfológicas específicas entre as línguas inglesa e portuguesa, destacando, a partir de uma nota de rodapé, a ressalva de que a conlang traduzida tem algumas limitações. Defendemos a ideia de que o tradutor não só pode como deve assumir o papel de conlanger durante o processo de tradução do ‘1984’ e obras semelhantes, desvinculando-se da ideia de ser um traidor em potencial e demarcando deliberadamente a sua voz enquanto co/re/criador linguístico-literário.
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