Subjetividade, Trauma e Voz Feminina: leitura crítico-poética em Contos de Areia e Açúcar
Resumo
O presente artigo investiga a construção da subjetividade traumática e da voz feminina silenciada no poema Contos de areia e açúcar, a partir da interface entre psicanálise e crítica literária. Parte-se do entendimento de que a linguagem poética constitui espaço privilegiado para a inscrição do trauma, especialmente em contextos de violência simbólica. A análise centra-se nas metáforas de areia e açúcar, compreendidas como alegorias da memória fragmentada e da tensão entre dor e doçura, em diálogo com o conceito de confusão de línguas (Ferenczi, 1933). Articula-se também a perspectiva de Butler (1993), evidenciando como práticas discursivas reiteram o silenciamento de meninas e mulheres. Metodologicamente, o estudo combina revisão teórica e análise interpretativa do poema, com uma dimensão formativa voltada à leitura crítica. Conclui-se que a escrita literária pode funcionar como espaço de reexistência, testemunho e reparação simbólica, permitindo a reinscrição de vozes silenciadas no campo discursivo.
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