O PESO DA ESCOLHA: ANÁLISE EXISTENCIALISTA DA MÁ-FÉ NO ANIME DEATH NOTE

Autores

  • Jullie Catherine Furtado UniCV
  • Bianca Mariane de Araujo Germano

Palavras-chave:

Existencialismo, Death Note, Má-fé, Psicologia

Resumo

O artigo analisa o anime Death Note sob a ótica da psicologia existencialista, com base nos conceitos filosóficos de Jean-Paul Sartre. O foco é compreender como o comportamento de Light Yagami (Kira) expressa tensões relacionadas à liberdade, responsabilidade, má-fé, angústia e ao olhar do outro. Apresenta-se, inicialmente, o pensamento sartriano, que nega uma essência humana prévia, afirmando a liberdade como condição fundamental da existência e a responsabilidade como consequência inevitável. Explorando ainda os conceitos de angústia e má-fé, com apoio em Sartre e Reynolds (2013), o estudo analisa o primeiro episódio do anime, especialmente o diálogo entre Light e Ryuk e o flashback dos primeiros assassinatos cometidos por Light. Essa cena revela a angústia inicial do protagonista e sua posterior racionalização moral das mortes, dando início a um processo de má-fé. Discute-se como Light tenta negar sua responsabilidade ao justificar suas ações por fatores externos — como o caderno ou o contexto social — e ao criar uma separação entre sua identidade e a figura de Kira. Também é examinada a importância do olhar do outro na formação da identidade. Conclui-se que a trajetória de Light representa uma recusa da liberdade e da responsabilidade, pilares do existencialismo. A análise evidencia como o personagem recorre à má-fé para fugir da angústia e ilustra, de maneira simbólica e dramática, dilemas éticos e existenciais. Assim, Death Note oferece uma narrativa ficcional relevante para refletir sobre os conflitos do existir.

Referências

REYNOLDS, Jack. Existencialismo. Tradução de Caesar Souza, Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

SARTRE, Jean-Paul. Existencialismo é um Humanismo. Tradução de Rita Correia Guedes. L’Existentialisme est un Humanisme, Les Éditions Nagel, Paris: 1970.

Sartre, Jean-Paul. O ser e o Nada. Tradução de Paulo Perdigão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

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Publicado

01-07-2026